O artesão referência na produção de instrumentos e na preservação da cultura popular 

 

Mestre Maureliano Ribeiro (1965-2025). Foto: divulgação / Instagram: @adielluna

 

 

 

 

Mestre Maureliano Ribeiro é o nome que ainda ressoa com a mesma força dos tambores que construiu ao longo de décadas em Pernambuco. Mestre Mau, como também era conhecido, faleceu em março de 2025, em pleno sábado de Carnaval. Sua passagem não apaga o legado que deixou e seu lugar na cultura popular, seja na música ou no artesanato brasileiro. Reconhecido como um grande nome da produção artesanal de instrumentos de maracatu, construiu uma carreira marcada pelo domínio técnico primoroso, pela defesa e preservação das manifestações culturais pernambucanas. 

Este artigo é uma forma de reverenciar o mestre, apresentando sua trajetória, a relação com o fazer manual e com o maracatu, sua produção artesanal de instrumentos, especialmente os tambores e sua importância no cenário cultural do Brasil. Vamos apresentar sua contribuição no movimento manguebeat e participação na fundação de coletivos mostrando como seu legado segue pulsando nos tambores espalhados pelo Brasil e mundo. 

 

 

Artesanato, território e origem: a formação de um mestre 

 

Maureliano tocando atabaque na roda de capoeira de Daruê Malungo. Foto: divulgação / Instagram @darue.malungo

 

 

A história de Maureliano Ribeiro está profundamente ligada ao território pernambucano e às expressões culturais de matriz africana. Mestre Mau, como era mais conhecido, nasceu em 1965 no bairro de Peixinhos, área situada entre Olinda e Recife, onde a cultura popular afro-brasileira se manifesta intensamente. Crescer nesse ambiente significou conviver com ritmos, festas populares e práticas culturais, como o maracatu e o coco, que moldaram sua sensibilidade desde cedo.  

A significativa parte da formação profissional de Maureliano ocorreu fora dos espaços formais de ensino. Seu aprendizado foi construído por meio da observação, da prática e da convivência com outros mestres, além de sua curiosidade sobre a história do Brasil e do mundo. O contato com o trabalho manual começou ainda na infância, influenciado pelo ofício do pai, marceneiro e carpinteiro. Valorizava esse período pela contribuição a sua capacidade inventiva e criativa, imaginando os brinquedos que podia fazer com objetos simples que tinha disponíveis: garrafas, pedaços de madeira, tampas. A proximidade com ferramentas, cortes e encaixes despertou o interesse pelo fazer artesanal e forneceu uma base técnica que mais tarde seria aprofundada na construção de instrumentos de percussão, principalmente os tambores, pelos quais se tornou uma das maiores referências no país. 

 

Os ritmos da cultura pernambucana reverberavam na vida e no trabalho de Maureliano. A partir de seu envolvimento com a capoeira quando jovem, se aproximou dos instrumentos e começou a desempenhar o papel de educador no projeto social Daruê Malungo, criado pelo Mestre Meia Noite e Vilma Carijós. A necessidade de instrumentos para aulas e ensaios foi o ponto de partida para que ele começasse a produzir seus próprios tambores. Conta em entrevista concedida para o Projeto História e Memória dos Maracatus Nação de Pernambuco, do Laboratório de História Oral e da Imagem da UFPE (LAHOI) em 2011, que na época os instrumentos vendidos eram caros e alguns deles sequer eram vendidos em lojas. O que inicialmente surgiu como solução prática, transformou-se em vocação e ofício. 

 

 

       Surdo produzido por Maureliano. – Instagram: @maurelianoribeiro 

 

Maureliano se identificava como artesão, para além de luthier. Em entrevista ao Festival Caboco da Mata, ele contou que durante a pandemia o que manteve sua renda foram peças como esculturas e artigos religiosos: “a religião nunca parou, o candomblé nunca parou”. O artesanato esteve presente ao longo de sua vida, com a produção das mais variadas peças, com uso de madeira e outras matérias primas. Bonecos gigantes de Olinda, cabeças de La Ursa, adereços do maracatu, fantasias, bandeiras e pinturas de camisetas foram algumas das suas contribuições como artesão do carnaval. Estava inserido nele. Vivendo em Olinda, via os blocos passando, mas gostava mesmo era de fazer os outros brincarem.  

 

Maureliano produzindo bonecos. Instagram: divulgação / Instagram @ossertoestaperoa_

 

 

 

Maureliano também foi um dos fundadores do grupo que iria influenciar grandes nomes da música pernambucana, entre eles Chico Science. O Lamento Negro surgiu no bairro de Peixinhos, em Olinda, como um grupo de afoxé que abrigava o coco, o maracatu, a ciranda, o samba de roda e o break. O nome, inspirado em “The Wailers” criado por Bob Marley, refletia o posicionamento do grupo, afirmando a origem afrodescendente dos diversos ritmos e manifestações culturais que tocavam. Ali, Maureliano produziu surdos de chapa galvanizada, utilizados no samba reggae. Sua formação no curso técnico do Senai em solda também viria a contribuir para construção de outros instrumentos com esse tipo de material. 

 

O fazer artesanal dos instrumentos de maracatu 

 

Instrumentos produzidos por Mestre Maureliano. Foto: divulgação / Instagram: @maureloianoribeiro

 

 

 

Na contramão da industrialização e padronização dos objetos culturais, o trabalho de Mestre Mau destacou a importância do trabalho artesanal e da cultura popular. Foi com o domínio da técnica adquirido com anos de trabalho, que Maureliano desenvolveu formas e sons únicos. A qualidade do trabalho do mestre, suas inovações e resgates o fizeram ganhar as Nações de Maracatu e os grupos percussivos do Brasil e do mundo. 

Foi a produção de tambores o principal destaque na trajetória de Maureliano. O instrumento é o elemento percussivo tido como o coração pulsante do maracatu, utilizado pela maior parte dos integrantes que acompanham o cortejo. Como artesão, dominava todas as etapas do processo de produção, desde a escolha da madeira até a afinação. Atuante na valorização da tradição, defendia o uso dos termos tambor, bombo ou zabumba, já que “alfaia” viria a ser utilizada como sinônimo somente na década de 80. Brincou: “se fosse assim, seria a Noite das Alfaias Silenciosas”, uma referência ao cortejo e ritual dos maracatus que acontece em Olinda e Recife durante o carnaval.  

 

 

Maracatu Nação Elefante, 1947. Foto: divulgação / Maracatu Nova Lua.  

 

Originalmente, os tambores eram feitos de barris de madeira, que transportavam as mercadorias, como hoje são os containers ou caixas de plástico. Com o desuso, os integrantes de maracatu começaram a buscar novos materiais. Antônio Pereira de Souza, conhecido como Seu Toinho, foi quem começou a produzir os tambores de macaíba, uma árvore nativa no Nordeste, que traz uma sonoridade especial ao instrumento, contou Maureliano. Foi no Maracatu Nação Elefante, o mais antigo que se tem registro (ano de 1800), que Maureliano se aproximou do maracatu e conheceu Mestre Toinho, atualmente a frente da Nação Baque Forte.  

Essa prática de produzir os próprios adereços e instrumentos é própria da cultura popular, que com os recursos disponíveis inova e cria tradição. Maureliano conta em entrevista que os integrantes e pessoas da comunidade faziam tudo, mas o repasse não acontecia de forma estruturada, de modo que seu aprendizado aconteceu com a vivência e a curiosidade. Assim, criou seus próprios processos e, resgatando técnicas antigas, inovou a confecção de instrumentos de percussão. 

A seguir apresentamos alguns dos instrumentos produzidos por ele e seus respectivos processos de produção. 

   

Tambor 

 

Tambor de macaíba de Maureliano. Foto: divulgação / @maracaturaiodeouro

 

 

Os tambores de Maureliano, de compensado ou macaíba, são compostos pelos seguintes elementos: 

 

  • Bojo: é a parte central e estrutural, que define a sonoridade e o timbre do instrumento. Maureliano produzia com compensado e tronco da macaíba, seguindo processos distintos. Com o compensado é necessário cortar a placa e, devido sua maleabilidade, curvá-la. Fixado com cola e pregos, o bojo recebe um reforço interno feito com aros nas partes superior e inferior para dar resistência no momento da afinação. Com esse material, é possível seguir os tamanhos padrão de polegadas dos tambores, já a macaíba, por se tratar de um tronco de palmeira, segue “o tamanho que a natureza dá”, como disse Maureliano em entrevista ao Festival Caboco da Mata. Com seu formato cilíndrico, a macaíba precisa apenas ser trabalhada para retirar parte da madeira interna, chegando à parte mais rígida, menos fibrosa. Nesse processo também é necessário incluir um reforço interno.  

 

Maureliano produzindo tambor de macaíba. Foto: Alexandre Garnizé / Acervo.

 

 

 

  • Pele: são utilizadas duas peças: a superior, onde o músico irá batucar, e a inferior, chamada “pele de resposta”. O couro utilizado é o de bode que, no processo de produção do tambor, primeiramente é deixado de molho para amolecer e depois esticado sobre a arquilha. 

 

  • Aros: peça com os furos por onde a corda irá passar. Colocados na parte superior e inferior, eles envolvem a pele que está colocada sobre a arquilha e, através da pressão exercida pelas cordas, amarradas de diferentes formas seguindo a tradição de cada Nação, “descem” mais próximos ao bojo, esticando a pele e dando a afinação necessária. Para dar o formato de aro à ripa de madeira, primeiramente Maureliano utilizou rodas de bicicleta, depois evoluiu a ferramenta desenvolvendo moldes de metal com ajustes. Após a moldagem, realizava o acabamento com lixa e fazia a furação. Para essas peças, Maureliano dava preferência ao jenipapo devido a sua flexibilidade e, de modo a contribuir com sua preservação, investia o lucro de suas vendas na plantação de novas árvores.  

 

  • Acabamento: característico dos tambores de Maureliano, a marchetaria deu personalidade aos seus tambores com elementos geométricos aplicados no bojo.  

 

Gonguê 

Gonguê e agogô produzidos por Mestre Maureliano. Foto: divulgação / Instagram @maracaturaiodeouro

 

 

 

Tradicional no maracatu de Baque Virado, ele é feito de ferro ou aço com o formato semelhante a uma campana de sino com a boca achatada. O formato precisa ser cônico para dar o som agudo e grave. O instrumento é tocado com uma baqueta para guiar o ritmo dos tambores. Em entrevista ao LAHOI, Maureliano explica que, para produzir, batia a frio a chapa de ferro com o uso de um martelo para fazer ambos os lados, também chamados de bandas. Como um diferencial, o mestre fazia pontos de solda nos quatro cantos além de furar e “cravar” as bordas externas para unir as bandas, conferindo maior durabilidade ao instrumento. Veja o processo em: https://www.instagram.com/p/C782XTTO6Fp/ 

 

Caixa de corda 

 

Caixa de corda. Foto: divulgação / @maurelianoribeiro

 

 

 

Assim como o tambor, as caixas também podem ser afinadas através de cordas. A pesquisa de Maureliano o levou a retomar a prática de produção do instrumento dessa forma. A partir da década de 1950, as caixas industrializadas começaram a ser utilizadas no maracatu, segundo Alexandre Garnizé, músico, historiador e pesquisador de música africana e diaspórica, o que destaca a relevância de Mestre Maureliano no resgate e preservação da tradição do maracatu.  

 

Mineiro ou ganzá 

 

Instrumento semelhante a um chocalho, Mau procurava fazer da forma mais manual possível, sem uso de máquinas. Essa preferência enfatiza sua sabedoria técnica e precisão, já que o mineiro é um instrumento cilíndrico e a produção é feita a partir de uma chapa de metal. Ele explicava que o trabalho envolvia esfregar a placa até dar curvatura necessária e, sem uso de solda, fechá-la apenas com encaixe.  

 

O Mestre fundador de coletivos 

 

Mestres são aqueles que detêm os saberes tradicionais e são reconhecidos popularmente por sua contribuição à cultura local, perpetuação da prática e disseminação da tradição. Em geral, são multiartistas, podem atuar tocando, compondo ao mesmo tempo que são artesãos de instrumentos, utilitários, esculturas e figurinos. Maureliano não era diferente, além de atuar em diferentes áreas da cultura popular, também circulava por diferentes ritmos. Maureliano contribuía imensamente para a continuidade e originalidade dos ritmos populares, atuando como defensor do Baque Virado, coco, ciranda ao participar de diferentes espaços em debates, oficinas e encontros culturais. 

Como precursor de movimentos, em 2008 Maureliano fundou o Maracatu Nação Cabeça de Nego, em Camaragibe, anos após também ter iniciado a banda Via Sat, surgida do Lamento Negro. Sua participação só foi interrompida para se concentrar na fabricação dos instrumentos que, no início dos anos 2000, vinha crescendo com a ascensão do manguebeat. Mais recentemente, estava tocando junto a Adiel Luna no Coco Camará.  

 

Nação Maracatu Cabeça de Nego. Foto: divulgação / Instagram @cabecadenego

 

 

 

 

 

O Mestre do manguebeat: da criação do ritmo à produção dos instrumentos   

 

 

Nação Zumbi tocando com as alfaias de maracatu. Foto: divulgação / Instagram: @nacaozumbioficial

 

 

 

A trajetória profissional de Maureliano Ribeiro dialoga de forma direta com o movimento manguebeat, expressão musical surgida no Recife nos anos 1990 que articulou o rock à tradição do maracatu, tendo Chico Science & Nação Zumbi como um de seus principais expoentes. Nesse contexto, sua sabedoria musical e conhecimento profundo dos ritmos afro, como o maracatu, tiveram papel determinante na construção da identidade sonora da banda. Foi do encontro de Science com Maureliano no Lamento Negro que o manguebeat surgiu: “Peguei a célula de um ataque de trompete, de uma batida da bateria e de uma batida de maracatu. Passei do naipe de metais para os tambores”, explica Maureliano em artigo de João Mauro Araujo, em 2007. Para saber mais, é possível ter acesso a uma entrevista de Mau a José Teles, realizada em 2023, na página do pesquisador no Instagram @telestoques.  

Ainda que não receba o mesmo destaque quando se fala em manguebeat, a tradição das Nações de Maracatu foi pilar para a criação do novo ritmo criado em Pernambuco e que ganhou o Brasil. Os tambores confeccionados por Maureliano, reconhecidos pela potência e pela densidade sonora, sustentaram o “maracatu atômico”.  

O mestre que defendia a inovação, também inteirava que ela não deveria apagar a tradição e por isso o artesanato poderia ser a base para construção de novas experimentações, respeitando os saberes ancestrais. Foi nesse contexto que os instrumentos produzidos por Maureliano passaram a integrar palcos, gravações e performances associadas ao movimento manguebeat. O artesanato e a cultura popular mostraram sua capacidade de adaptação e diálogo com novas estéticas e Maureliano começou a ser conhecido para além de Pernambuco. 

 

 

Ateliê Barravento, a marca de Maureliano 

 

Mestre Maureliano em sua oficina – Instagram: @barraventotambores

 

 

 

Foi ao lado de sua casa, em Camaragibe, que Mestre Mau instalou sua oficina. Repleto de madeiras e ferramentas, ali também se tornou um ponto turístico para aqueles que queriam conhecer os modos de fazer e a figura de referência de Mestre Maureliano. O nome Barravento, marcado com carimbo ou pirógrafo nos instrumentos de sua marca, surgiu do bombo mestre de maracatu que leva o mesmo nome, assim como o toque de candomblé e da capoeira.  

 

Tambor com a imagem de Naná Vasconcelos pintada no bojo. Foto: divulgação / Instagram @barraventotambores

 

 

Seu nome e tambores conquistaram grandes artistas, entre eles um dos maiores percussionistas do país, o pernambucano Naná Vasconcelos. O mundo também conheceu Maureliano: Cingapura, Finlândia, Escócia, Alemanha, Japão, Estados Unidos, foram alguns locais aonde seus tambores chegaram, mesmo ele não tendo saído do país. Sua conexão com o território e sua luta pelas questões sociais e sobrevivência da cultura o fizeram permanecer, pois acreditava ser seu papel dar assistência aos jovens através de seus projetos socioeducativos. 

 

 

O artesão como guardião da memória cultural 

 

“De cabeça em cabeça, antes que a matéria vire pó 

vou passar pra outra cabeça o que aprendi com a minha vó” 

  • Loa da Nação Maracatu Cabeça de Nego 

 

Mestre Maureliano ensinando sua técnica – Instagram: @ossertoestaperoa_

 

 

A figura de Maureliano Ribeiro ultrapassa a noção restrita do artesão como produtor de objetos utilitários ou musicais. Sua atuação se consolidou como a de um guardião da memória cultural, comprometido com a preservação de técnicas, narrativas históricas e significados associados ao maracatu e ao artesanato de instrumentos de percussão. Os tambores produzidos carregavam não apenas um rigor técnico, mas também referências ancestrais e uma compreensão profunda do papel desses instrumentos na constituição da identidade cultural pernambucana. 

Sua contribuição se dava de forma especial através do trabalho pedagógico que realizava com muita generosidade, segundo seus aprendizes. Oferecia a jovens artesãos, músicos e pesquisadores um ambiente de aprendizado fundamentado na oralidade, na prática e observação atenta do fazer manual, acreditando na vivência como método fundamental na área da cultura.  

A tradição, segundo ele, compreende tudo que é passado oralmente. Em se tratando de ancestralidade, exaltava a memória do povo negro escravizado como a forma que tiveram de guardar e trazer os saberes de suas origens para depois transmiti-los através da fala. Por isso, acreditava nessa forma de ensino que também contribuía com a inclusão de pessoas não letradas, ao aprender a tocar ou mesmo construir instrumentos. Esse modelo de transmissão de saberes, característico do artesanato tradicional brasileiro, valoriza a experiência compartilhada, fortalecendo vínculos comunitários e assegurando a continuidade dos conhecimentos que sustentam a cultura popular. 

 

 

Legado para o artesanato brasileiro 

 

Mestre Maureliano, artesanato além da vida – Crédito: trovão das Minas

 

 

Durante sua trajetória de vida, Maureliano Ribeiro conquistou reconhecimento por parte de artistas, pesquisadores e instituições dedicadas à cultura popular. Sua prática dialogava com princípios de sustentabilidade, identidade local e contribuição a economia criativa, demonstrando que o trabalho artesanal pode gerar impacto social ao promover a inclusão social. O artesanato, para Maureliano, sempre foi mais do que uma técnica. Era um modo de preservar histórias e ritmos, era ciência. Os instrumentos produzidos por ele carregam marcas do local onde cresceu, da história do Brasil e da sabedoria dos negros que lutaram para que hoje os tambores continuassem a ser tocados. Esse entendimento orientou seu percurso e o consolidou como mestre da cultura popular. 

 

 

O legado de Mestre Maureliano segue vivo através da nova geração – Instagram: @barraventotambores

 

 

Seu legado segue presente na produção dos instrumentos pela sua família, na atuação de artesãos formados sob sua orientação, na circulação contínua de seus instrumentos e na memória que sustenta a cultura pernambucana. Sua existência reafirma a importância de políticas públicas e iniciativas culturais voltadas à salvaguarda do artesanato tradicional, especialmente aquelas que reconhecem o mestre artesão como agente central na transmissão de saberes e na manutenção dos patrimônios imateriais. 

No contexto mais amplo do artesanato brasileiro, Maureliano simboliza a integração entre domínio técnico e identidade cultural. Seu trabalho demonstra que o fazer manual transgride as práticas do passado, se configura como um campo dinâmico de inovação e preservação. O percurso de Mestre Maureliano Ribeiro constitui um testemunho sensível e duradouro sobre a força do artesanato como patrimônio cultural do Brasil, um legado que não se encerrou naquele sábado de carnaval, mas que permanece vivo na batida dos tambores e na continuidade dos saberes que ele ajudou a preservar. Viva Mestre Maureliano! 

 

Para saber mais sobre Mestre Maureliano Ribeiro e sua contribuição para a cultura brasileira, em especial a pernambucana, acesse os links abaixo: 

 

https://eduplay.rnp.br/app/video/31312 

https://www.youtube.com/watch?v=AsTxZ3_j-lI 

https://canalcurta.tv.br/filme/?name=instrumentos_de_maracatu 

https://www.youtube.com/watch?v=uaMYtSQ6ZW4 

 

Agradecimento à Alexandre Garnizé, amigo de Maureliano Ribeiro, que concedeu entrevista para contribuir com a escrita desse artigo. Garnizé, nascido em Camaragibe – PE, é músico, historiador e pesquisador, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Barcelona e fundador do grupo percussivo Tambores de Olokun e da banda Abayomy Afrobeat Orquestra.  

 

Referências Bibliográficas: 

 

ADIEL LUNA. Entrevista Maureliano no Coco Camará. https://www.instagram.com/adielluna/reel/DKNhQlDBtoe/ 

 

JORNAL DO COMMERCIO. Maureliano, o homem das alfaias de maracatu. Recife, 30 jun. 2012. Disponível em: https://jc.uol.com.br/canal/cultura/musica/noticia/2012/06/30/maureliano-o-homem-das-alfaias-de-maracatu-47452.php. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

INTERD.NET. Maureliano: o homem dos tambores de maracatu. Recife, 3 nov. 2020. Disponível em: https://interd.net.br/maureliano-o-homem-dos-tambores-de-maracatu/03/11/2020/. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

BARRAVENTO TAMBORES. Barravento Tambores: instrumentos artesanais de maracatu. Instagram. Disponível em: https://www.instagram.com/barraventotambores/. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

BRASIL. Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Instrumentos de Maracatu. Eduplay. Disponível em: https://eduplay.rnp.br/app/video/31312. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

CANAL CURTA!. Instrumentos de Maracatu. Rio de Janeiro: Canal Curta!, 2010. Disponível em: https://canalcurta.tv.br/filme/?name=instrumentos_de_maracatu. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

IPHAN. Dossiê Maracatu Nação. Disponível em: https://bcr.iphan.gov.br/wp-content/uploads/tainacan-items/65968/66960/Maracatu-Nacao_de_DOSSIE-INRC-MARACATU-NACAO_.pdf. Acesso em 10 fev 2026 

 

FOLHA DE S.PAULO. Maureliano: o homem das alfaias de maracatu. Ilustrada, São Paulo, 1 jun. 1998. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq01069819.htm. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

QUILOMBO CATUCÁ. Mestras e Mestres de Encantamento: TRADIÇÕES, MEMÓRIAS E ANCESTRALIDADES DE UM POVO CHAMADO CAMARA (Documentário). Disponível em: 

https://www.instagram.com/p/DHuVQy4JxfV/?img_index=5. Acesso em: 11 fev. 2026. 

 

RIBEIRO, Maureliano. Perfil oficial. Instagram. Disponível em: https://www.instagram.com/maurelianoribeiro/. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

RIBEIRO, Maureliano. Publicação sobre produção artesanal de alfaias. Instagram, 2025. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DGthpejv_R4/. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

RIBEIRO, Maureliano. Oficina e saberes do maracatu. Instagram, 2025. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DGskqDLOcnj/. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

RIBEIRO, Maureliano. Alfaias e tradição do maracatu. Instagram, 2025. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DJATMuDBpDx/. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

YOUTUBE. Maureliano Ribeiro – Alfaias de Maracatu. Vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uaMYtSQ6ZW4. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

YOUTUBE. O som das alfaias e o maracatu. Vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mpvUxxF56Fs. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

YOUTUBE. Maracatu, artesanato e tradição. Vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=AsTxZ3_j-lI. Acesso em: 5 fev. 2026. 

 

Referências Fotográficas: 

 

Imagem da internet: Mestre Maureliano Ribeiro (1965-2025). Disponível em: https://www.instagram.com/p/DJATMuDBpDx/ 

 

Imagem da internet: Maureliano tocando atabaque na roda de capoeira de Daruê Disponível em: https://www.instagram.com/p/DGt-4FUOwf0/ 

 

Imagem da internet: Surdo produzido por Maureliano Disponível em: https://www.instagram.com/p/DC_-b_FR-_1/ 

 

Imagem da internet: Maureliano produzindo boneco. Disponível em: https://www.instagram.com/ossertoestaperoa_/p/DGx5D0-xb9z/?img_index=2  

  

Imagem da internet: Instrumentos produzidos por Mestre Maureliano. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CuSpNslrID2/ 

 

Imagem da internet: Maracatu Nação Elefante.. Disponível em:  

https://maracatunovalua.wordpress.com/2016/08/16/maracatu-nacao-elefante/  

 

Imagem da internet: Tambor de macaíba.. Disponível em: https://www.instagram.com/maracaturaiodeouro/p/DIRC8c9xJk3/?img_index=5 

 

Imagem da internet: Gonguê. Disponível em: https://www.instagram.com/maracaturaiodeouro/p/C9CsMVlAPqY/ 

 

Imagem da internet: Caixa de corda. Disponível em: https://www.instagram.com/p/C80LakZOSar/ 

 

Imagem da internet: Maracatu Nação Cabeça de Nego. Disponível em: https://maracatuteca.com/portfollio/cabeca-de-nego/ 

 

Imagem da internet: Nação Zumbi tocando com as alfaias de maracatu. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DOmXTvPjvij/?img_index=1 

 

Imagem da internet: Mestre Maureliano em sua oficina. Disponível em:  

https://www.instagram.com/p/DIRC8c9xJk3/?img_index=1 

 

Imagem da internet: Tambor com imagem de Naná Vasconcelos. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CukcEdEO3EO/  

 

Imagem da internet: Mestre Maureliano ensinando sua técnica. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DGx5D0-xb9z/?img_index=4 

 

Imagem da internet: Mestre Maureliano, artesanato além da vida. Disponível em: https://www.facebook.com/photo/?fbid=2267000016760550&set=pcb.2267011276759424 

 

Imagem da internet: O legado de Mestre Maureliano segue vivo através da nova geração. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DH_7H_3hEA0/