Quase aos 90 anos, Maria Gonçalves, a mestra ceramista conhecida como Maria Fogo, segue como guardiã de uma tradição ancestral em Coqueiros, zona rural de São Gonçalo do Amarante (RN). Suas peças em barro carregam a memória de um modo de vida que resiste ao avanço industrial e às desigualdades que ameaçam as ceramistas tradicionais. Mesmo após um AVC e proibida de queimar suas obras em casa, ela continua produzindo e ensinando, preservando um conhecimento que transcende a técnica e alcança rituais, respeito e ancestralidade. 

Foi essa força que inspirou o documentarista Fábio de Oliveira (Ta’angahara) a criar Maria Fogo, filme nascido da convivência e da amizade com a artesã. Exibido recentemente no Poti Sesc de Cinema, o documentário é uma produção integralmente racializada e destaca tanto a habilidade ceramista quanto as contradições que atravessam a vida de Maria — do apagamento cultural à resistência cotidiana. Registrar sua trajetória se torna, assim, um gesto político de reconhecimento e preservação de uma das últimas guardiãs desse saber ancestral. 

Crédito: Juliana Amorim 

 

 

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