Conheça a história do artista paraibano que há 65 anos vive no Rio de Janeiro retratando com maestria cenas, personagens, animais com técnicas de gravação que mostram o domínio e criatividade de décadas de trabalho.

H3 – Conversa Fiada é uma série de entrevistas com pessoas que trazem pontos de vistas inventivos sobre a relação com o fazer artesanal e sua rede. São artesãos inovadores, artistas visuais, designers, pesquisadores, criativos, professores e muitas outras pessoas que estão pensando sobre e fazendo artesanato, trazendo desafios, soluções e inovações para o setor.

Alice Meditsch e Laura Landau, especialistas do CRAB, entrevistam Ciro Fernandes, xilogravador, artista plástico, escritor, ilustrador e luthier. Em seu ateliê, ele nos contou com muito humor, um pouco sobre sua trajetória e muitas outras histórias. Tivemos também um papo com Bruno, seu filho, que hoje administra o estúdio. Ciro nasceu no Uiraúna, sertão da Paraíba, passou por Natal e São Paulo até se instalar no Rio de Janeiro, onde inicialmente trabalhou como pintor de cartazes. O paraibano foi diretor de arte em agências de publicidade, ilustrador do Jornal do Brasil e O Globo, professor, além de escrever livros e cordéis. É o único ilustrador premiado pela Academia Brasileira de Letras, pelo trabalho no livro “Cordelinho” de Chico Salles com o Prêmio Machado de Assis.

Confira a entrevista com Ciro Fernandes abaixo e pelo canal do CRAB no YouTube: (Lançamento do vídeo na íntegra em breve)

 

Ciro Fernandes: Vou começar contando a história do cordel. O Cordel é esse livrinho, que os poetas de cordéis no nordeste fazem. Ele é vendido nas feiras, feira livre, onde eles começam a ler e, quando chega a um ponto decisivo, param e dizem aos compradores: “Agora só sabe o final da história quem me comprar um cordel.”

Geralmente tem uma capa de xilogravura que eles tiram as cópias e imprimem. Antes a xilogravura era usada só como capa, mas tiveram alguns xilogravadores que passaram a fazer maior e vender como arte. J. Borges¹ foi um, Samico² foi outro.

 

Alice Meditsch: E como foi sua chegada no Rio?

 

Ciro: Eu cheguei aqui no Rio de Janeiro, na Feira São Cristóvão, eles estavam pondo muitos postais de filme americano. Aí eu falei: “Por que não faz a xilogravura, que é uma coisa mais de cordel mesmo?”. Eles disseram que não sabiam fazer e eu disse: “Eu faço”. Aí comecei a fazer pra eles, né? Fazia o cordel, e o que eles me davam era um gole de cachaça. Era bom também, mas não pagava as capas. Mesmo assim eu fazia.

 

Alice: Como era a Feira de São Cristóvão quando o senhor chegou aqui no Rio?

 

Ciro: A Feira de São Cristóvão, que hoje ainda existe, é um pedaço do Nordeste aqui no Rio. Na época era o ponto de chegada do nordestino no Rio de Janeiro. Lá tinha os cantadores de viola que são repentistas.

O cordel é um é uma arte antiquíssima, né? Ele provavelmente veio da China através dos viajantes, chegou na Europa e ficou em Portugal, onde se fazia muito. Eles usavam folha de papel com um desenho de xilogravura e contavam uma história. Para ser mais vendida eram histórias sobre o amor, o amor não correspondido e histórias de valentões. Essa história coube muito no Nordeste, porque lá tem muito valentões. Namorar uma mulher de um valentão é um perigo(risos). Minha mãe gostava muito de ler cordel na calçada, juntava gente pra escutar, ela lendo o cordel.

 

 

Alice: E o senhor chegou a escrever alguns cordéis também, além de ilustrar?

 

Ciro: Eu escrevi alguns, fiz um Macunaíma. Peguei um livro de Mário de Andrade e fiz uma versão em cordel.

 

Alice: Além dessas capas de cordéis, o senhor também ilustrou capas de grandes escritores. Como foi com Gilberto Freyre?

 

Ciro: A editora José Olímpio que me chamou para eu ir almoçar com o Gilberto Freyre. Aí eu olhei para meus livros, tinha todos os livros dele lá, mas eu não tinha lido nenhum. Era para ir almoçar com ele naquele dia, aí fui lá. A primeira coisa que ele me perguntou foi: “Você já leu meus livros?”. E eu respondi: “Não li nenhum”. Aí ele disse: “Que bom, porque assim eu falo para você como eu quero”. Ele desenhava, então falou como queria, rascunhou alguma coisa.

 

Alice: E os outros, Ciro? Como que era o processo para criar as capas? O senhor tinha liberdade para criar?

 

Ciro: O processo é não saber o que fazer. Vai fazendo, vai riscando que sai. Eu risco direto na matriz.

 

Laura Landau: De onde vem a inspiração?

 

Ciro: A inspiração é uma coisa que não existe, né? Por exemplo, hoje mesmo esperando dar a hora de vocês chegarem, eu fiquei fazendo lá uma gravura, né? Aí me lembrei do Uiraúna. A padroeira de lá é Jesus, Maria e José. Aí eu fiz, mas só saía saia Jesus e Maria. Ficou lá: Jesus e Maria. A inspiração não tem.

 

Alice: E a questão da cor, que você usa às vezes sobreposição de cores e às vezes as cores separadas, como é que foi isso? O senhor foi testando, algum estilo veio primeiro que o outro?

 

Ciro: O J Borges faz com o pincel, ele pega a matriz e vai pincelando. Eu serro a matriz, tiro os pedaços e elas ficam separadas. Nessa obra dos cajus eu serrei tudo, cada caju e folha. Para impressão faz primeiro a parte mais fraca, o preto é o último. O preto é que dá a amarração.

No “Araguaia” cada cor é uma matriz, o difícil dela é você fazer o acerto, você tem que estender ela em cima da madeira e tem que cair no lugar certo. Isso é difícil de fazer. Às vezes sai coisa depois que fica pronto que a gente não teve intenção de fazer. E é isso que a arte propicia ao artista.

 

Alice: Como é a história da obra “Araguaia”?

 

Ciro: Picasso fez uma Guernica, eu decidi fazer uma Araguaia, que é a Guerra de Araguaia. Hitler exercitou a aviação da Alemanha bombardeando a (vila de) Guernica e aqui foi a mesma coisa, os fazendeiros matavam o matuto na Araguaia.

 

Alice: Eu vi você falar sobre a luz também, da importância da luz na xilo, como você trabalha ela?

 

Ciro: A importância da luz na xilo é muito grande. Os gravadores que querem que a luz fique bem projetada na madeira, fazem o fio, o traço do desenho, e depois tiram todo o espaço, que fica branco. Não é fácil de fazer não, é trabalhoso. Os gravadores que estão começando tiram 50% da madeira, geralmente deixam a figura em preto.

 

 

Alice: Hoje em dia, você está mais pintando ou mais fazendo estilo?

 

Ciro: Hoje em dia o que eu gosto mais de fazer é nada (risos).

 

Alice: Você estava falando numa entrevista que você não trabalha, como se a arte não fosse trabalho.

 

Ciro: A gente pensa que tá brincando, né. Na verdade, tá mesmo.

 

Alice: Achei bonito isso que você falou sobre brincar com a xilogravura, porque vários artesãos e artistas que já entrevistamos falam que o que fazem é brincadeira. Tem uma leveza em pensar dessa forma, parecer que não está trabalhando. Ao mesmo tempo,

tem uma coragem que você comenta também, sobre decidir ser artista. Você saiu do jornal em algum momento e resolveu fazer a sua arte. Como foi?

 

Ciro: É, eu fiz isso de vir não trabalhar (risadas). No início do jornal foi fácil porque o Nêumanne³ era chefe de redação e ele é do Uiraúna. Disseram para ele: “tem um cangaceiro lá embaixo te procurando.” Fiquei lá uma meia dúzia de anos. Até que um dia cheguei em casa e disse “olha pessoal, eu não vou mais trabalhar fora, de hoje em diante eu vou ficar em casa”. Houve aquela briga, né? E eu não fui mais não, mas saía para vender a gravura, vender os quadros. Chegava nos escritórios, tinham advogados que gostavam de comprar, faziam coleção e eu vendia.

 

Alice: E como tudo começou? Sua mãe era pintora também, você aprendeu com ela?

 

Ciro: Desde menino que mexia na pintura dela. Ela fazia gravura, pintava. Ela era uma pintora de garrafa. Lá no Nordeste pinta muito copo, garrafa, muito azulejo, faz quadrinho pra pendurar.

É interessante a necessidade do ser humano de ter essas coisas. Você vê que eu, por exemplo, nasci numa casa de taipa. A taipa é uma casa feita de barro. Vai tapando com o barro. Certamente por causa disso chama taipa, né? (pausa) Inventei agora isso aí! (risos). Aí, você vê que numa casa de taipa tem um quadro na parede.

É interessante que na casa da minha vó eu fiz na parede um cachorro acuando a vaca e na outra parede eu fiz o Lampião. Fui para casa, quando voltei lá, tinham tirado o Lampião. Aí eu fiz de novo. Era o meu padrinho, tio Zuza, quem apagava, porque um dos cabras de Lampião tinha entrado na casa e apunhalado ele. A mão dele era toda cortada pelo cabra do Lampião, ele tentava segurar a faca e o cangaceiro puxava.

 

Quando fui fazer uma exposição lá no Uiraúna, fiz uma obra do cangaço. Aí tinha um bocado de gente em volta dela, falando “Ah, pra que fazer isso”. Eu digo: “Tira ele daí e põe no chão”. “É onde ele merece, é no chão mesmo”, dizia o povo. Aí tiraram e puseram no chão. Daqui a pouco volto e estava cheio de gente em volta do quadro, antes estavam olhando na parede e passaram a olhar no chão (risos).

 

No tempo de Lampião, ele invadia as pequenas cidades. Ele invadiu o Uiraúna, mas antes da invasão, as pessoas mais corajosas e mais afoitas, juntaram a pólvora que existia nas casas dos caçadores e fizeram bombas para jogar de cima da torre da igreja. Jogaram nos cabras de Lampião, eles pensaram que era tiro de arma maior e foram embora. Aí eles têm esse orgulho, “nós não deixamos o Lampião entrar aqui”.

 

Alice: Você saiu do Uiraúna e depois de Natal foi pra São Paulo. Como foi essa mudança?

 

Ciro: Lá no Uiraúna, a gente ia muito na igreja, mas não ia rezar, ia ficar escutando papo. Tinha uns caras que sabiam mais do que a gente e diziam “Terra boa é Sumpaulo, lá acha-se dinheiro pelo chão”. Lá chama São Paulo de Sumpaulo. Aí eu fiquei com aquele negócio, falei: “Eu vou a São Paulo também, vou lá ver”.

Cheguei no Viaduto do Chá, vi uma nota. “Mas não é que é verdade?! Tem dinheiro pelo chão.” Chutei a nota, digo: “não vou também pegar a primeira que aparece, né?”. Nunca mais apareceu nenhuma (risos).

Eu andando por ali, não sabia nem atravessar a rua, tinha que uma pessoa me pegar pela mão, que eu não tinha coragem de atravessar, né? Porque é carro por baixo, carro aonde a gente tá, carro andando por cima… Eu digo: “Como é que eu vou andar aqui?” Aí, eu andando, tinha uns caras falando, que eu chego até a me lembrar da igreja do Uiraúna: “Mas mulher tem é no Rio. O Rio de Janeiro é que tem mulher.” Aí fui.

 

Eu cheguei aqui no Rio, fiquei andando ali pela Central, numa hospedaria no Campo de Santana. Depois vim parar na Lapa. Nem sabia quanto que era, o que era. Fiquei morando por aqui, trabalhando.

 

Alice: Durante um período você deu aulas, né?

 

Ciro: Era a escolinha de Augusto Rodrigues4, perto do túnel que sai em Copacabana. Um dia faltou o professor e eu estava tomando cerveja lá com ele, no seu ateliê no Largo do Boticário. É um largo bonito. Ele perguntou se eu queria dar aula. Eu fui.

Teve uma aluna que sentou ao meu lado e disse: “Mestre”. “A primeira vez que alguém me chama de mestre é você”, eu falei. “Eu estou afim de fazer nada hoje, mestre.” “E o que você acha que eu estou afim de fazer?” (risos).

 

Alice: E voltando ao jornal, como era o processo do seu trabalho, da criação?

 

Ciro: Às vezes tinha que fazer na hora. Às vezes eu dava um pulo aqui em casa, que estavam as ferramentas já, fazia gravura e corria pra lá. O pedido vinha de tarde, quase no limite da hora de usar. Geralmente eu pegava o texto e vinha dentro do ônibus lendo. Eu fazia pintura, mas o que gostavam era a gravura. Eu era “layout man”, tinha esse nome, homem do layout. Layout é um rascunho que se faz, o acabamento faz depois que aprova, aí vem para a gente finalizar.

 

Alice: Além de artista visual, você também é luthier, né? Como foi essa procura e interesse? O senhor viu que já tinha domínio com a madeira e começou a fazer instrumentos?

 

Ciro: Eu tinha uma vontade danada de ser músico, né? Lá em casa, os tios tocavam, eram músicos da banda da cidade. Desde o maestro até tocador de surdo. E eu gostava muito da banda, era coisa muito bonita, né? Chamava Jesus Maria José. Tinha pistom, trombone. Mas eu não aprendi, era difícil demais. Já que eu não conseguia tocar violão, eu decidi fazer um. E passei a fazer. O mais difícil é de arranjar a madeira. Tem que ser um jacarandá velho. Nas matrizes eu uso canela, cedro, mogno, umburana que é bem molezinha.

Aqui no Rio, lá em casa, a gente era visitado por muitos músicos. Era Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, tinham muitos. Iam pegar o feijão da Rita, né (risos). Tinha uma matriz grande, que a gente comia em cima dela. Enquanto estava comendo, ia rabiscando com a goiva.

 

Alice: E o que que saiu dessa mesa?

 

Ciro: Saiu uma gravura grande, a “Metamorfose”. A história da chave do meu fusca, que roubaram. A gravura começa com uma cópula, aí vai saindo uma procissão, entra numa igreja e sai lá por trás em forma de pássaros. Termina com a chave do fusca.

 

Alice: Sobre as suas obras aqui no ateliê, pode nos contar sobre essa obra do Padre Cícero?

 

Ciro: Pediram a gravura para uma expulsão lá na região do nordeste. Eu fiz um padre com umas galinhas no braço, aí o responsável disse: “Ah, não vou por meu padrinho roubando galinha.” “Não tá roubando galinha, ele vai fazer uma sopa de galinha”, eu falei. Aí eu fiz isso aí e eles aprovaram (risos).

 

Alice: E o senhor é católico?

 

Ciro: Não tenho religião nenhuma. Porque eu gosto de todas. Eu acho bonito. Acho que o homem não passaria sem a religião. Agora eu não, pra ficar em uma e perder todas as outras?! Isso aqui é Ogum. Se eu fosse religioso, católico, aí era proibido fazer isso.

Se eu tivesse religião seria proibido gostar do diabo, eu adoro o diabo! (risos)

 

Alice: Tem uma outra gravura que eu achei muito bonita também, da visita do J. Borges ao Rio.

 

Ciro: Ele ia lá pra casa quando vinha ao Rio. Eu fui em Bezerros, aí ele disse: “Aqui tu não vai dormir no chão, não.” Aí eu digo: “Mas tu lá em casa não dormiu no chão não, tu dormiu nove andares acima do chão”. (risos)

 

Bruno Fernandes: Na semana que ele nos deixou, fiz muitos vídeos deles dois. Falou muito com Ciro no aniversário. Na obra está ele, o J. Borges e o Zé Ramalho. Eles trocavam várias artes, meu pai tem muita matriz dele. Eles sempre brincavam. Também tinha a coincidência das esposas, minha mãe chama Rita, e a esposa dele na época também: “Como é que tá a sua Ritinha?”

 

Alice: Bruno, e como começou esse trabalho com seu pai?

 

Bruno: Durante a pandemia, eu tinha me aposentado e falei: “cara, quero achar um trabalho melhor”.  Minha esposa falou assim: “Por que tu não ajuda teu pai?”. Maravilhosa a ideia, vamos lá, vamos ver se ele aceita. Aí eu falei com ele, falei com a minha mãe. Essa parte burocrática, de rede social ele tava precisando de uma ajuda.

 

Alice: E já era algo que você fazia?

 

Bruno: Não, eu tinha experiência com comunicação, publicidade, fazia freelas de computação gráfica, mas tinha alguma experiência de alguns casos de gerenciamento

de projetos. Nos primeiros momentos já tivemos um feedback no Instagram, é imediato! Foi botar as artes dele lá, o negócio começou a subir. Acho que era isso mesmo que estavam esperando. Ele já era conhecido, obviamente, só que as pessoas não viam esse canal de rede social que hoje em dia todo mundo quer, todo mundo busca. Foi muito legal! Vários projetos começaram a surgir, parcerias.

Tinha esse processo também de interação, jogava lá e surgiam as dúvidas das pessoas,

de como era o processo. No início a gente teve que filmar bastante ele trabalhando, porque era o que as pessoas querem ver.

O ateliê veio da necessidade das pessoas procurarem muito ele, irem lá em casa. E tinha minha mãe, cuidando das coisas dela, às vezes fazendo comida e tal, as pessoas querendo ir lá de manhã… Mas minha mãe fica louca, né? Aí, fomos procurar uma coisa, para esticar as artes também. Rapaz, aquelas artes grandes ali, mais de dois metros! Precisa mostrar para as pessoas. Tinha que organizar o legado, organizar todas as artes. Com esse espaço, a gente começa a receber escolas, ele consegue fazer a gravura na hora para as crianças verem aqui na mesinha. Isso deu uma dinâmica muito legal, muito gostosa.

 

Laura: Como é que está esse repasse de conhecimento para as próximas gerações?

 

Bruno: O Instagram movimentou muito esse negócio de repasse de conhecimento, né?

O feedback que a gente tem das pessoas é impressionante. A gente recebe mensagem de que as pessoas começaram a fazer xilogravura assistindo ele. Tem artistas novos muito talentosos, o Thiago Modesto5, que eu acho muito legal, tem o Jefferson6 lá de Natal.

 

Alice: Sobre essa parte da gestão do ateliê, o que você tem aprendido e repassado?

 

Bruno: Eu faço algumas palestras sobre gestão. Não é tão simples, né? Como é que se vive da arte? Como qualquer outra profissão. Existe um trabalho a ser feito, um projeto. A coisa não chega assim, você sentado esperando. As pessoas querem e ficam entusiasmadas em conhecer o processo, não só o processo de fazer a arte, mas de gerir ela.

 

Alice: É legal você trazer. Acho que tem essa questão de um certo deslumbramento com a rede social, mas vocês mostram exatamente como o processo de gestão e da criação estão andando juntas. Ao mesmo tempo que as redes auxiliaram vocês a se conectarem com novas gerações, elas não se bastam para fazer a divulgação. O trabalho de anos que sustenta, né?

 

Bruno: A rede social é um canal, um instrumento de chegar até a pessoa que está distante, a atingir o público.

 

Laura: Uma curiosidade é como que vocês conservam tantas obras, como organizam elas no ateliê?

 

Bruno: Não é tão simples, pelo volume, tá? Mas a gente tem uma mapoteca específica de matriz, para as gravuras. A gente criou os mostruários para não ficar manipulando muito o que tá guardado, com proteção do plástico. Tem arte com 60 anos! Tem a nossa parceira, Adriana Paixão, restauradora, que ajuda a gente na parte de conservação. A gente vai observando sempre.

 

 

 

¹J. Borges (1935-2024) Em 2005 foi reconhecido como Patrimônio Vivo do estado de Pernambuco, artista, escritor de cordel e xilogravador. Fonte: https://crab.sebrae.com.br/a-arte-de-j-borges/

² Gilvan Samico (1928 – 2013) Gravador, pintor, desenhista, professor. Integrou a Sociedade de Arte Moderna do Recife. Fonte: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/3567-gilvan-samico

³ Jose Nêumanne Pinto (1951) jornalista, nascido no Uiraúna.

4 Augusto Rodrigues, primo de Nelson Rodrigues, um dos fundadores da Escolinha de Arte do Brasil, criada em 1948. Lá também dava aulas José Altino, paraibano que ensinou a técnica da xilogravura para Ciro. Fonte: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicoes/70981-escolinha-de-arte-do-brasil-eab

5 Thiago Modesto. Carioca, designer e gravurista. Fonte: https://thiagomodesto.com.br/Sobre

6 Jefferson Campos. Xilogravador. Fonte: https://www.instagram.com/jefferson.campos.xg/

 

 

 

 

 

 

Araguaia. Foto: divulgação site Ciro Fernandes

 

 

A Banda do Uirauna. Foto: divulgação site Ciro Fernandes

 

 

 

 

Cangaço. Foto: divulgação site Ciro Fernandes

 

Metamorfose. Foto: divulgação site Ciro Fernandes

 

 

Foto: Facebook Ciro Fernandes.

 

 

Padre Cícero. Foto: divulgação site Ciro Fernandes

 

 

Matrizes de Ciro Fernandes em seu ateliê. Foto: Laura Landau.

 

Ciro mostrando a obra Araguaia. Foto: Laura Landau.

 

Equipe e entrevistados no ateliê de Ciro. Foto: acervo.

 

Mensagem de J. Borges para Ciro. Foto: Alice Meditsch.

 

 

Pífano, homenagem a Vitalino. Foto: divulgação HOMO FABER.

 

 

 

O Gato e o Peixe. Foto: divulgação HOMO FABER.

 

Foto: Bruno Fernandes. Divulgação Anota Bahia.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte das imagens:

 

Ciro com obra. Anota Bahia. Disponível em: https://anotabahia.com/documentario-sobre-ciro-fernandes-tera-exibicao-no-mam-bahia/

O Gato e o Peixe e Pífano. Homo Faber. Disponível em: https://www.homofaber.com/en/objects/a1VTG000000f3f12AA e https://www.homofaber.com/en/objects/a1VTG000000f3f02AA

Obras Ciro Fernandes. Disponível em: https://www.cirofernandes.com.br/loja?page=5