CRAB/SEBRAE

Pesquisa Acadêmica

Ano: 2019
Tipo: dissertação
Saberes, Tradição e Patrimônio Cultural

Da "aldeia" ao museu do Quai Branly : o trançado "Tupinambá" no mundo contemporâneo

Autor(es): BORGES, Virginia Abreu

Resumo

A presente dissertação se insere no debate em curso no campo da História da Arte sobre a ampliação dos limites epistemológicos da disciplina. Até a primeira década deste século a História da Arte operava a produção de conhecimento no campo a partir do cânone Europeu. Isso produziu um desvio com relação aos objetos selecionados para estudo. A fim de tornar a disciplina mais inclusiva, recentemente, prestigiadas instituições situadas no centro global, a exemplo da Fundação Getty de Los Angeles, passaram a estimular historiadores da arte que atuam em instituições situadas na periferia global e que, ao mesmo tempo, contribuem significativamente com a comunidade internacional da disciplina, a exemplo da Unicamp, no Brasil, a investir seus esforços em pesquisas sobre objetos de tradição não-europeia. Desse desafio, de acordo com Avolese (2014), emergiu a seguinte questão: "como abordar um objeto a partir de seus próprios termos?" A pergunta revela a insuficiência metodológica no campo da História da Arte para realizar tal abordagem e ao mesmo tempo sugere a necessidade de reflexão sobre um termo caro à disciplina da Antropologia, a alteridade. Nesse sentido, a presente dissertação transitou pelas duas disciplinas, entrelaçando o método da biografia cultural de Kopytoff a uma espécie de ensaio etnográfico e autobiográfico, a fim de tecer o contexto sociocultural e artístico das bolsas de palha denominadas "Tupinambá" no mundo contemporâneo. Para tanto, a trajetória da presente pesquisa foi sendo percorrida e pouco a pouco avançando a cada recusa de ater-se a categorias analíticas pré-estabelecidas pelos campos da História da Arte, da Antropologia, e da Moda, tais como "arte indígena", "cestaria indígena" ou ainda "artesanato indígena", respectivamente. Assim, ao descrever e documentar como opera a reelaboração cultural da técnica de tecelagem autodenominada "Tupinambá" no mundo contemporâneo, espera-se ter contribuído com o campo da História da Arte em expansão

Publicação Original

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