•Economia, Trabalho, Empreendedorismo e Organização Produtiva
Do ofício manual à cooperação: os ganhos competitivos de artesãos em iniciativas de comércio justo
Autor(es): BARROS, Filippe Delarissa
Resumo
O presente trabalho parte de duas proposições teóricas para chegar ao seguinte problema de pesquisa: Como os ganhos competitivos em redes de cooperação podem ser proporcionados aos artesãos em uma iniciativa de comércio justo? A partir deste problema de pesquisa, o trabalho tem como objetivo compreender empiricamente quais ganhos competitivos apresentados pela literatura são proporcionados aos artesãos que fazem parte de uma iniciativa de comércio justo e como os diversos atores que participam dessa iniciativa percebem esses ganhos competitivos. Para cumprir com o objetivo principal, os seguintes objetivos específicos foram determinados: identificar uma iniciativa de comércio justo de artesanato e analisá-la como uma rede de cooperação; mapear os atores que compõem essa iniciativa de comércio justo; identificar os ganhos competitivos dos artesãos a partir da visão da iniciativa de comércio justo; identificar os ganhos competitivos percebidos pelos artesãos que integram a iniciativa de comércio justo; complementar a análise com a visão de parte dos demais atores da rede sobre os ganhos competitivos identificados; e comparar os achados com os princípios e características do comércio justo. Como metodologia de pesquisa, foi realizado um estudo exploratório, com estratégia de estudo de caso único integrado com abordagem qualitativa. O caso estudado foi o da Rede Asta, sendo que as fontes de evidência utilizadas foram 8 entrevistas com roteiro semiestruturado, documentos da RedeAsta e observação direta informal, enquanto o tratamento e análise dos dados foram feitos por meio da análise de conteúdo, resultando em 20 categorias analíticas e 7 categorias finais após o reagrupamento das referidas categorias analíticas. Como primeiros resultados, foi possível justificar a escolha do caso, o analisando também como uma rede de cooperação. Ainda, os principais atores dessa rede foram mapeados, sendo eles os fornecedores, os grupos produtivos, a Rede Asta, as conselheiras, o consumidor final, as empresas e as organizações parceiras. Ao analisar o ganho competitivo de escala e poder de mercado, os principais achados foram relacionados ao acesso a mercados consumidores e ampliação de vendas, à relação com os fornecedores e à credibilidade e legitimidade. No ganho de acesso a soluções, os principais achados foram sobre as capacitações para precificação, a prospecção de empresas, a comunicação e valorização cultural e o acesso a crédito diferenciado. Em aprendizagem e inovação, os principais achados foram de troca de informações de mercado, tendências, produtos e técnicas, e de desenvolvimento de um novo produto. Já no ganho de redução de custos e riscos, os achados foram sobre a segurança de pagamento, adiantamentos e investimentos, e sobre o compartilhamento de atividades e complementariedade de técnicas. Por fim, no ganho de relações sociais identificou-se como principais achados a transparência e confiança, e a concorrência interna e comportamentosoportunistas. Todos esses achados foram comparados também com os princípios e características do comércio justo. Pode-se afirmar então que essa pesquisa testou os limites da aplicação do modelo de ganhos competitivos em redes de cooperação ao comércio justo, ampliando as perspectivas teóricas sobre o tema. Como estudos futuros recomenda-se que sejam realizadas replicações dessa pesquisa em casos múltiplos de artesanato e outros produtos do comércio justo, bem como sejam realizadas pesquisas descritivas com artesãos, outros produtores e demais atores do comércio justo. Ainda, uma recomendação para pesquisas futuras é a de aprofundar o estudo da relação entre as variáveis do comércio justo e dos ganhos competitivos em redes de cooperação, ou até mesmo da relação entre as variáveis dos diversos ganhos competitivos entre si
Publicação Original
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