O galinho do ceu : os saberes das figureiras de Taubate
Autor(es): OLIVEIRA, Marcelo Pires de
Resumo
Este trabalho procura desvendar os processos de transmissão transgeracional de saberes da comunidade das Figureiras de Taubaté. Artistas populares, que moldam o barro na forma de singelas figuras que, depois de pintadas, compõem o presépio natalino são detentoras de um saber artístico que é transmitido através das gerações há, pelo menos, cem anos. Para entender o contexto no qual essa arte popular se desenvolve foi necessário conhecer a evolução histórica da atividade ceramista na região do Vale do Paraíba Paulista. As pesquisas arqueológicas sobre a região indicam a presença de grupos humanos desde o século XIII. Esses grupos já produziam cerâmica e, possivelmente, são a matriz da atividade ceramista na região, que evoluiu da cerâmica utilitária até a cerâmica decorativa, passando pela cerâmica devocional, que é a base da arte figureira. Com o apoio do método biográfico buscamos, por meio das memórias destas artistas, construir uma história que revele os seus processos de ensino-aprendizagem e expresse as relações de troca de experiências e saberes entre as gerações. Ao explorarmos as lembranças dos processos de aprendizado, pudemos perceber que as Figureiras aprendem dentro das suas relações de proximidade, sejam as familiares, de vizinhança ou de compadrio. Essa experiência de educação não-formal ocorre entre uma artista mais velha e uma criança pertencente ao seu círculo familiar. São diversas as etapas para que o aprendiz possa atingir o status de mestre e para tal ela deve conhecer e dominar todas as fases da confecção da peça de barro, que vai desde a coleta do barro (mesmo que hoje em dia isso já não seja feito), até a pintura das peças, segundo parâmetros tradicionais, com o seu toque pessoal, que implica em uma evolução na apresentação das peças
Publicação Original
Este material está hospedado em um repositório acadêmico parceiro. Clique abaixo para ler a pesquisa na íntegra.