Empoderamento feminino e resiliência de artesãs por meio do saber-fazer manual têxtil: estudo de caso das bordadeiras de Barra Longa-MG
Autor(es): LEMES, Bianca Xavier
Resumo
A presente pesquisa aborda o saber-fazer do ofício tradicional do tecer, abrangendo a dimensão material e simbólica que se estabelecem em torno do fazer artesanal, como as técnicas do modo de fazer, a tradição, a memória, a identidade, o pertencimento e as relações sociais. Buscou-se compreender, por meio de um olhar interdisciplinar, de que modo o saber-fazer atua como recurso cultural nos processos de empoderamento e resiliência de artesãs de ofícios têxteis. Observou-se o caso das bordadeiras da cidade de Barra Longa, Estado de Minas Gerais, diante de um contexto peculiar do cenário contemporâneo - o rompimento de uma barragem de rejeitos de minérios que trouxe imensuráveis impactos às comunidades atingidas. O estudo visou compreender de que modo as bordadeiras locais vêm se reconstruindo e ressignificando os traumas, por meio do ofício de bordar. Investigou-se as diversas abordagens dos conceitos de empoderamento e resiliência e suas aplicações no âmbito cultural e social, colaborando para a emancipação feminina e para a melhoria da qualidade de vida dos sujeitos, por meio de sua cultura e dos laços comunitários. A pesquisa também apontou novas perspectivas para ampliar a salvaguarda do bordado como Patrimônio Cultural da cidade de Barra Longa, em um processo participativo, no qual os valores das referências culturais são reconhecidos pela própria comunidade, culminando na proposta do Processo de Registro Imaterial e demais ações de valorização e difusão da referência cultural. A investigação baseou-se na pesquisa qualitativa, elegendo o estudo de caso das bordadeiras da cidade de Barra Longa, por meio de uma pesquisa participante na qual a pesquisadora pôde entrelaçar experiências e se aproximar do universo de saberes das artesãs. Os resultados indicaram sobre a importância da preservação e valorização do ofício têxtil, uma vez que ele colabora positivamente com os processos de empoderamento feminino e resiliência dos sujeitos, favorecendo diversos aspectos sociais, culturais e econômicos, como o reconhecimento das detentoras do saber-fazer, a coesão social, a autoestima, a autonomia, a ressignificação dos traumas e da conscientização da comunidade, na formação de sujeitos como protagonistas de sua cultura.
Publicação Original
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