
A participação dos artesãos aparece diretamente na construção dos calçados. Primeiro são elaboradas as estampas a partir dos grafismos marajoaras; depois, os desenhos são reproduzidos por meio de pintura e bordado antes dos calçados seguirem para as fábricas no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Entre os participantes está Miqueias Caldas da Silva, artesão e produtor cultural de Cachoeira do Arari ligado ao Instituto Tucunaré. Ele levou cerca de três semanas para pintar os 20 calçados destinados à apresentação em Milão. A trajetória de Miqueias também passa pela transmissão desses conhecimentos: depois de participar de formações em bordado e produção de carimbos para reprodução dos grafismos, passou a ministrar atividades para jovens no Instituto Tucunaré. A coleção chega à Itália colocando a riqueza dos grafismos ancestrais marajoara e o trabalho de seus artesãos em conexão direta com a moda e o design internacional.

