No coração do Parque Estadual Cunhambebe, em Mangaratiba, na Costa Verde no sul do estado do Rio de Janeiro, o escultor quilombola Marcelo Firmino ressignifica a floresta ao transformar árvores mortas em arte. O artista, da comunidade das Fazendas Santa Justina-Santa Izabel, utiliza troncos e galhos de árvores descartadas pela natureza para dar vida a esculturas realistas de pacas, antas, onças e outros animais da floresta amazônica.
Aos 55 anos, Firmino, ex-trabalhador da indústria petrolífera, decidiu abandonar a profissão no final dos anos 90, após se encantar com esculturas de animais em um hotel. Sua formação técnica na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, lhe deu base para dominar o uso das cores e formas, permitindo reproduzir a complexidade da fauna da Mata Atlântica com precisão.
Apesar do talento, as dificuldades de viver da arte quase levaram Firmino a desistir da carreira. A trajetória mudou quando seu trabalho chamou a atenção de Ivan Cobra, gestor do Parque Cunhambebe. Por meio de uma parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), ele começou a trabalhar nos projetos de educação ambiental. Em pouco tempo, suas obras chegaram a escolas do Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de exposições e coleções particulares por todo o Brasil.
As obras do artista já passaram pelo Centro de Memória dos Povos Originários e Tradicionais da Costa Verde e os troféus da Mostra de Curtas do Cine Quatro Estações apresentam sua assinatura.

