No Estado do Pará, a Floresta Amazônica mantém reservas preciosas para as pesquisas de novas descobertas em favor do bem comum. A vocação criativa dos paraenses amalgamou as raízes dos povos originários com referências de etnias diversas e produziu uma cultura original. Na culinária, na música, no artesanato e no estilo de vida e fé, tudo inspira lá grandes apoteoses como o Círio de Nazaré.
O artesanato paraense expressa o talento plural e abrangente de seu povo que reúne os diferentes saberes das culturas originais e estrangeiras. Contemplando diversas produções e materiais, se destacam: cerâmica, cuia, cestaria, miriti, balata, fibras, sementes, entre outros com certificação de origem. É por meio dos chamados ‘furos’, caminhos das águas dos rios, que os ribeirinhos se transformam em agentes do intercâmbio entre a tradição e a inovação. Eles são ao mesmo tempo mestres e aprendizes de um conhecimento em constante movimento. As contribuições das novas gerações são facilmente identificáveis nas inovações criativas da produção artesanal.
A forte presença dos povos originários deixou como herança o chamado ‘grafismo indígena’, encontrado nos motivos e padrões presentes em diferentes suportes, como nas cerâmicas, nas cuias e nos objetos feitos com as fibras e sementes. Uma das expressões mais conhecidas do artesanato do Pará é a cerâmica. Produzida em argila, é caracterizada pela exuberância escultórica e variedade de produtos. Inspirada na Civilização Marajoara, a cerâmica de mesmo nome caracteriza-se por traços simétricos e harmoniosos. Pintura vermelha e preta sobre engobe branco, em baixo e alto relevo, entalhes, aplicações e outras técnicas. A cerâmica tapajônica é o único legado dos índios Tapajós, que viveram entre os séculos XVI e XVIII. Caracteriza-se por ser uma cerâmica escultórica, feita com uma mistura de cauxi e cariapé, representando figuras humanas e de animais em vasos cariátides, gargalos, ídolos, pratos e outros formatos.



