Com a beleza de sua natureza que sempre seduziu viajantes, atualmente, Alagoas faz parte do roteiro dos prazeres do mundo. Palco dos episódios importantes de nossa história, também tornou-se reconhecida pelo artesanato que encanta com um repertório inventivo, diversificado e atual. Dos fios se criam peças coloridas como o filé, a renda de bilro, as barras de redendê das toalhas, os caminhos de mesa de patchwork e os delicados bordados que utilizam a técnica conhecida como ‘boa noite’. Galhos e pedaços de madeira já mortos transformam-se em cadeiras e esculturas cheias de personalidade.
O nome filé vem do francês “filet”, que quer dizer rede e, de fato, é um bordado sobre uma rede de fios. É sobre essa rede que as mulheres tecem suas histórias. A marca do filé alagoano é composta pelas cores vibrantes, que refletem a tropicalidade presente nas casas, nos barcos e nos figurinos das manifestações folclóricas regionais, como o maracatu, o coco e o guerreiro. O bordado de filé é tradição carregada de ancestralidade, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas e pela sua Indicação Geográfica.
Na Ilha do Ferro, pequeno vilarejo banhado pelo Rio São Francisco no sertão alagoano, o cenário à beira-rio parece ter saído de um filme. Artistas entalhando a madeira, transformam madeira caída no mato ou encontrada debaixo d’água em personagens e móveis com rostos, pássaros e figuras diversas, mantendo as cores naturais da madeira ou incrementando com cores vibrantes. São mestras e mestres da cultura popular que mantêm aquele local vivo de tradição e criatividade.



