
Bordador alagoano transforma um saber aprendido com a avó em profissão, peças autorais e uma rede de produção no povoado.
Em Entremontes, povoado de Piranhas, no sertão de Alagoas, Miguel Correia cresceu acompanhando o trabalho da avó, Maria Nogueira da Silva, conhecida como Maria Gogó, uma das responsáveis por difundir o redendê na comunidade. Aprendeu os princípios da técnica ainda na infância, cursou Direito e, depois da morte da avó e das mudanças provocadas pela pandemia, voltou a bordar com mais frequência. Aos poucos, passou a experimentar o redendê em quadrinhos, casarios, roupas, bolsas e objetos de decoração e, no segundo semestre de 2024, decidiu viver profissionalmente do bordado.
Hoje, aos 25 anos, Miguel mantém o ateliê Entre Artes Bordados e articula uma rede de cerca de 30 pessoas envolvidas em etapas de produção, fotografia e comercialização. Grandes encomendas são divididas entre artesãos da comunidade, e suas peças já circularam fora de Entremontes, inclusive usadas pelo cantor João Gomes. Estudante de produção de moda na Universidade Federal de Alagoas, ele também prepara oficinas destinadas a homens interessados em aprender a bordar, ampliando a circulação de um saber tradicional enquanto desenvolve novas formas, usos e públicos para o redendê.

